segunda-feira, 24 de novembro de 2014

Quero ser Doutora-Mãe

A minha infância foi passada ao lado da minha mãe. Ia para todo o lado com ela: às compras, a casa das amigas, ao cabeleireiro e, inclusive para o trabalho. A sede da empresa do meu pai ficava longe do local onde morávamos, portanto, durante a semana, éramos apenas nós duas, uma vez que ele só passava os fins de semana em casa. A minha mãe, que nunca foi pessoa de estar parada, passava a ferro para fora e fazia limpezas. Acompanhava-a sempre. 

Trabalhava numa casa, de uma senhora que tinha duas filhas, certamente da mesma idade que eu. Escusado será dizer que me perdia no meio dos brinquedos das meninas e sonhava que todos fossem meus. Conta a lenda, que enquanto a minha mãe arrumava, eu ia desarrumando. A dona da casa, era Jurista e passava imenso tempo fora. Era raro pôr-lhe a vista em cima, mas quando acontecia, podia ouvir a minha mãe a chamar-lhe "doutora". Era uma mulher linda, bem sucedida, e cheia de boas maneiras. Ficava deslumbrada com o que via, tanto a nível estético, como com a personalidade que fazia transparecer através de certas atitudes. 

Quando me perguntavam o que queria ser quando fosse crescida, respondia que queria ser "doutora-mãe",  não porque desejasse ser doutora e mãe, mas sim por desejar ser como ela. Ainda hoje, me identifico com isto, porque agora sei o que via nela, que tanto quero para a minha vida: realização pessoal e sucesso profissional, ou resumindo numa só palavra: felicidade, pois penso que não a conseguimos alcançar sem ter um equilíbrio entre estes dois aspectos da vida. 

À pouco tempo li, que a pergunta certa a fazer às crianças, seria "quem queres ser quando fores grande" em vez do típico " o que queres ser quando fores grande". No entanto, acho que sempre respondi correctamente. 


12 comentários:

  1. Se me perguntassem isso hoje, acho que respondia:
    - Quero ser pequeno para sempre. :)

    ResponderEliminar
  2. Por vezes, encararmos com pessoas assim que queremos ser e identificamos!

    ResponderEliminar
  3. Não sei como era o teu outro blog, mas gosto muito deste! Gosto da forma como escreves =)
    E já agora adorei este post! Fizeste-me lembrar eu quando era pequena ;)

    ResponderEliminar
  4. Também concordo, acho que a pergunta certa é quem querem ser, e não o que.

    ResponderEliminar
  5. Há pessoas que nos passam pela vida em pequenas e que nos marcam irremediavelmente para sempre.

    ResponderEliminar
  6. Estavas certa desde miuda. :)
    Identifiquei-me imenso com este post! O meu pai também só vinha a casa aos fins de semana porque trabalhava longe, e a minha mãe trabalhava em casa de uma senhora todos os dias, por isso costumava levar-me com ela. Essa senhora foi muito importante para mim, ensinou-me a ler quando quando não conseguia aprender na escola, a fazer contas e a ter uma letra legível. Tinha uma paciência inesgotável. Não sei se quis ser como ela, mas definitivamente queria um dia ajudar alguém como ela fez comigo.

    ResponderEliminar
  7. Eu penso como tu.. Quero imenso ser realizada nessas duas fases da minha vida.. Sem as duas não conseguirei ser feliz,só espero que a minha ambição a nível profissional não me faça descuidar a minha vida pessoal

    ResponderEliminar
  8. há pessoas que nos marcam por bons motivos :)

    ResponderEliminar
  9. Que giro :) tinhas certezas desde pequena, já viste?!

    ResponderEliminar
  10. Faz todo o sentido...já aprendi uma coisa nova hoje e adorei o post :)
    Beijinhos*

    ResponderEliminar