quinta-feira, 19 de fevereiro de 2015

O Pinhal que fica em frente à minha casa

Quando era criança os meus pais mudaram-se para uma pequena aldeia. Perdi os meus amigos, vizinhos e familiares que viviam nas proximidades. Foi um processo difícil. Mudei-me para uma escola onde - por falta de alunos - juntavam as classes: 1º e 3º ano com uma professora e 2º e 4º ano com outra. Todos os meninos se conheciam e eram, na sua maioria, familiares uns dos outros. Senti-me deslocada, mas rapidamente me integrei. Ganhei a liberdade de passear pela terra com outras crianças, de andar de bicicleta na rua, de correr pelos pinhais e de passar noites em casa de vizinhos a brincar com os meus companheiros. Em frente a minha casa tenho um pinhal e era costume montar por lá uma tenda no Verão e ficarmos a conversar até às tantas da madrugada ou mesmo passar lá a noite. Há uns tempos, eu e os meus velhos amigos resolvemos recordar esses queridos momentos e montar as tais tendas nesse mesmo pinhal. Nessa noite, tinha em minha casa, uma amiga da faculdade e sugeri-lhe esse serão. Consigo lembrar-me de cada pormenor da cara dela - aterrorizada - ao perguntar-me se eu estava a jogar com o "baralho todo", não fosse ela da cidade, onde essas brincadeiras não têm lugar. Gosto de ter tudo perto e acesso rápido a serviços, transportes e todas essas coisas que a cidade tem para nos oferecer, mas não podia agradecer mais aos meus pais, pela infância fantástica que eles me proporcionaram neste lugar. 


18 comentários:

  1. Eu tenho pena de não ter uma infância assim!!

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  2. Ai, adorava ter crescido num local assim, certamente que tiveste uma infância muito mais livre e feliz :)

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    1. r: és uma linda, sabias? E eu gosto realmente da pessoa que estou a conhecer em ti :) obrigada por teres sempre uma palavra amiga quando estou mais em baixo!

      ps: mandei-te uma mensagem pelo skype (mas não é urgente ;))

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  3. eu também tive a minha infância numa aldeia.. e é muito bom.. e a cara das pessoas quando digo que nem rede de telemóvel tenho

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  4. Adoro ambientes desses, não vivo numa aldeia, nem tenho um pinhal em frente à minha casa, mas não me importava nada. Adorava passar momentos desses com os meus amigos e ir de bicicleta aos locais sem ter de me preocupar com os carros ou com as passadeiras (confesso que lhes tenho medo). Quando vejo um filme em que aparece um cenário parecido "babo-me toda" xD

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  5. R: vou aproveitar muito bem este ''fim-de-semana prolongado'', porém quando começo a ficar muitos dias em casa acabo por me cansar, ahah :)
    Eu vivo numa aldeia pequena, por um lado adoro viver aqui, é calmo e isso mas por outro lado como nunca tive a oportunidade de viver na cidade, gostava de experimentar. Porém, sei que deve ser uma agitação total.

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  6. Oh, tão giro! São esses momentos que nos marcam a infância, é tão bom :)

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  7. Realmente deve ter sido fantástico! Eu gostava de ser mais "ligada à terra" e se calhar ter tido uma infância mais rural!

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  8. eu tive uma infância ótima apesar de ter sido na cidade , brincávamos mais na rua do que dentro de casa :)

    r: muito obrigada !

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  9. Acredito que tenha sido uma infância fantástica :)

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  10. Hoje em dia as crianças cada vez menos têm uma infância assim.

    Isabel Sá
    http://brilhos-da-moda.blogspot.pt

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  11. Isso parece incrível :)
    Cresci e nasci na cidade e nunca tive esse gosto de passear e brincar na rua, tenho um pinhal à frente de minha casa mas nunca meti lá os pés!

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  12. a minha infância foi passada na aldeia, e gostei bastante.

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  13. Eu vivi até aos 11 anos na "santa terrinha" e, apesar de ter passado grande parte da vida numa localidade onde ainda há muito verde (tenho um pinhal a 200 metros de casa) e já depois de adulto ter andado aos pássaros com "visgo", de ter sido campista mais de 20 anos, ainda tenho saudades dos tempos em que "palmilhava" quase 5 quilómetros para ir à escola, de andar "de alforge" sem vir a casa duas semanas, quando o meu pai era uma espécie de madeireiro por conta própria, de saltar para dentro da pocilça e fazer deitar um porco com 150 quilos, a coçar-lhe a barriga, de deitar as galinhas de costas e elas ficarem quietas, numa espécie de hipnose, de comer uma laranja apanhada da árvore, logo de manhã, de subir às árvores como um gato, a vigiar o crescimento dos pintassilgos no ninho, de tirar e beber água pelo balde, de montar o burro em pelo, de correr pelos campos agarrado a um tronco seco de couve-galega, a fazer de guiador de uma mota imaginária...
    Ainda conheço imensas raças de pássaros e de plantas, pelo nome.
    Não havia televisão, nem computadores, nem internet. Quando queríamos saber o nome das coisas, não íamos ao Google: perguntávamos ao pai analfabeto que sabia de véspera se no dia seguinte ia chover.
    Hoje se houver um corte de energia mais prolongado, ficamos perdidos. Naquele tempo os bancos de dados estavam na cabeça dos velhos. Mas isso foi antes de os velhos passarem a ser tratados como trapos...
    Obrigado pelo excelente momento de saudade. :)

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  14. R: É uma questão de tentares. Eu também achava que não arranja e olha, ainda conseguia escrever mais :)

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